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Homenagem aos Médicos no dia de São Lucas
Maravilha-se Deus, certo dia, ao observar
seus filhos enquanto
criavam um instrumento novo. Em sua paciente
onisciência,
divertia-se também, porque sabia que lhe
dariam
um nome estranho: estetoscópio.
De início era meio grande e de madeira, e o
médico precisava
aproximar-se muito de seu paciente, dobrar
as costas, curvar-se.
Para
dizer a verdade, Deus gostava dele, pois via
a si mesmo,
curvado
sobre os seres que criara, escutando-lhes a
alma, as dores.
E depois, era bom ouvir o coração pulsando,
num ritmo constante,
como
o suceder das horas e das estações.
E
era tão bom interpretar as batidas: muitas
vezes elas
vinham
acompanhadas de um nome amado, de uma
declaração de amor.
Que interessante é ser Deus e conhecer todos
os
segredos do coração humano!
Depois, é verdade, até mais higiênico, mas
esfriou.
Deus não gostou muito: o primeiro contato
era gélido, alguns
médicos nem se preocupavam em esquentar um
pouco e as
crianças olhavam aquilo com certa
desconfiança.
Deus preferia a opinião das crianças sempre.
Mas admirava muito os cientistas. Às vezes
(e isso era contra os seus princípios de
Pai), até segredava-lhes
algumas coisas, enquanto debruçavam-se sobre
os microscópios, pois
Deus via tudo a olho nu e eles precisavam de
muitas máquinas - e
de muita paciência, de muita coragem.
Por isso Deus gostava dos médicos, porque
eles cuidavam daqueles
que Ele criara. Ainda bem, porque o pessoal,
às vezes, abusava
e se descuidava, e lá vinha o estetoscópio
de novo.
E depois resolveram abrir o peito e mexer no
coração como
um motor do qual se trocam as velas, as
válvulas, o carburador, a ignição.
E Deus ficou surpreso. Um pouco assustado, é
bem verdade,
mas admirado. Até onde aqueles inventores de
estetoscópio
haviam
chegado! Ficou orgulhoso. Uma só coisa o
inquietava:
era o som das batidas do coração. Será que
além dos
extrasístoles,
das desritmías e dos sopros, os médicos
saberiam ouvir o ritmo dos sentidos, o
pulsar das profundas
dores e dos apaixonados amores, o sopro
divino a mover-lhe a vida?
Pensou Deus em tudo aquilo e seu pensamento
vagueou
veloz
pelos hospitais, pelas filas dos aflitos,
pelos consultórios,
pelas
U.T.Is, pelas salas de cirurgias. Verificou
todos os instrumentos.
E
viu que tudo estava bom! Por via das
dúvidas, chamou
o Espírito Santo, para ficar sempre ao lado
dos médicos, para
inspirar-lhes a boa decisão, o bom gosto, o
bom conselho.
Por
via das dúvidas, chamou também Nossa
Senhora, para
ficar
ao lado dos doentes para ajudá-los a ter
paciência
e coragem, consigo e com os médicos.
Quanto a Ele mesmo, achou que não dava mais
para ter um
sétimo dia de descanso, como naqueles dias
de criação primeira,
e decidiu ficar para sempre ao lado de todos
nós.
(Homilia de Frei Yves Terral na casa do Dr.
José Osório
Lira
por ocasião da formatura do Dr. Osório Neto)
http://www.fatima.com.br/interna_exibe.asp?ct=&mn=&id=1019&nt=1238

Formated By Arlete Pratt
Música de fundo: Allusions - Mystic Day

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